sexta-feira, 6 de maio de 2011

Terapia do Adeus

“Toda vez que olhava aquelas almofadas que estavam em cima do sofá eu me lembrava da casa dela. No meio de tantos brinquedos e objetos interessantes naquela sala de terapia, a única coisa realmente prendia minha atenção eram aquelas almofadas, muito parecidas com as da casa dela. E quando a psicóloga, segurando nas mãos uma delas disse que as utilizava para simular experiências vividas com os pacientes, eu me senti dentro daquele apartamento de novo. Me veio uma infinidade de lembranças em menos de um segundo. Por fim, só consegui reparar brevemente o restante da sala quando me levantei para ir embora. Era como se eu tivesse indo embora da casa dela pra não mais voltar. Não queria ir, mas sabia que era a hora.”

(in)decisão

“Agora não consigo tê-la de volta e também não paro de pensar nela. Queria qualquer uma dessas duas coisas, só não queria ficar nesse meio termo... Mentira! A única coisa que eu realmente queria era ela de volta. Todas as vezes que eu decidi esquecer alguém, eu terminei e ponto, doa a quem doer, acabou. O difícil está sendo decidir isso, querer realmente pensar dessa forma. Ainda me resta um maldito fio de esperança que me faz esperar por ela até hoje..."

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O cheiro da minha rosa


Apesar de parecer com muitas outras, a rosa que eu cultivava no meu jardim tinha muitas peculiaridades. Por isso ela acabou sendo por muito tempo, única pra mim.

A minha rosa era calma e serena. Tinha o cheiro doce e a voz suave. Além disso tinha o sorriso largo e alegre.

A minha rosa falava em tom baixo e de forma pausada. Escutar ela falar me acalmava. Além disso ela tinha a gargalhada mais escandalosamente deliciosa que eu já ouvi.

A minha rosa era atenciosa com todos. Estava sempre à disposição pra um bate papo descontraído ou mesmo para dar uns conselhos quando necessários. Não por acaso ela vivia cheia de “causos” divertidos pra contar.

A minha rosa me ensinava dia-a-dia que é importante ser espiritualizado e buscar constantemente o equilíbrio em nossas ações.

A minha rosa gostava de ler tirando lições e aprendendo sempre algo mais. Para ela “O Pequeno Príncipe” não era um apenas um livro de crianças. Além disso, a minha rosa adorava quando eu lia pra ela dormir. Às vezes eu até dormia antes dela, mas mesmo assim ela gostava...

A minha rosa sabia quais “músicas da noite” eu gostava de receber por mensagem de celular nos dias que estava longe dela.

A minha rosa gostava muito de arte, nas diversas possibilidades em que ela pudesse se apresentar.

A minha rosa adorava cozinhar, usando bastante tempero e pouquíssimo sal. Por sinal, a sua comida era deliciosa. Ela gostava muito de sucos e saladas variadas.

A minha rosa não era ciumenta nem insegura, apenas um pouco carente.

A minha rosa às vezes tinha algumas crises existenciais. Nesses dias ela ficava um pouco impaciente. Mas isso costumava passar facilmente, quando era regada com carinho e cafuné.

A minha rosa sabia se estava feliz ou triste, só de me olhar. Meus olhos podiam enganar a muitos outros olhos, mas não aos dela.

A minha rosa gostava muito de vinho, chocolate amargo e café forte.

A minha rosa, como tantas outras, gostava de falar muito (muito mesmo!). Mas ao contrário da maioria, ela sabia também a hora de escutar.

A minha rosa era bem culta e por isso acabava me ensinando o significado de palavras que até então desconhecia.

A minha rosa gostava do toque, do cheiro... do beijo devagar e demorado, exatamente assim, “o jeito que ela gostava mais”.

Tudo isso fez com que a minha rosa se tornasse única dentre tantas outras semelhantes. O seu cheiro a tornava inconfundível.