Já escrevi muitas coisas que se perderam em meio a guardanapos de boteco, bloquinhos de anotações, versos de xerox e outros papeis mais. E quando eu procuro, a única pergunta que me vem à cabeça é "cadê o rascunho?". Nada mais sugestivo pra um blog. Se vou escrever com frequência não sei, mas pelo menos já sei onde guardar os rascunhos que produzir daqui pra frente.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Terapia do Adeus
(in)decisão
quarta-feira, 4 de maio de 2011
O cheiro da minha rosa

Apesar de parecer com muitas outras, a rosa que eu cultivava no meu jardim tinha muitas peculiaridades. Por isso ela acabou sendo por muito tempo, única pra mim.
A minha rosa era calma e serena. Tinha o cheiro doce e a voz suave. Além disso tinha o sorriso largo e alegre.
A minha rosa falava em tom baixo e de forma pausada. Escutar ela falar me acalmava. Além disso ela tinha a gargalhada mais escandalosamente deliciosa que eu já ouvi.
A minha rosa era atenciosa com todos. Estava sempre à disposição pra um bate papo descontraído ou mesmo para dar uns conselhos quando necessários. Não por acaso ela vivia cheia de “causos” divertidos pra contar.
A minha rosa me ensinava dia-a-dia que é importante ser espiritualizado e buscar constantemente o equilíbrio em nossas ações.
A minha rosa gostava de ler tirando lições e aprendendo sempre algo mais. Para ela “O Pequeno Príncipe” não era um apenas um livro de crianças. Além disso, a minha rosa adorava quando eu lia pra ela dormir. Às vezes eu até dormia antes dela, mas mesmo assim ela gostava...
A minha rosa sabia quais “músicas da noite” eu gostava de receber por mensagem de celular nos dias que estava longe dela.
A minha rosa gostava muito de arte, nas diversas possibilidades em que ela pudesse se apresentar.
A minha rosa adorava cozinhar, usando bastante tempero e pouquíssimo sal. Por sinal, a sua comida era deliciosa. Ela gostava muito de sucos e saladas variadas.
A minha rosa não era ciumenta nem insegura, apenas um pouco carente.
A minha rosa às vezes tinha algumas crises existenciais. Nesses dias ela ficava um pouco impaciente. Mas isso costumava passar facilmente, quando era regada com carinho e cafuné.
A minha rosa sabia se estava feliz ou triste, só de me olhar. Meus olhos podiam enganar a muitos outros olhos, mas não aos dela.
A minha rosa gostava muito de vinho, chocolate amargo e café forte.
A minha rosa, como tantas outras, gostava de falar muito (muito mesmo!). Mas ao contrário da maioria, ela sabia também a hora de escutar.
A minha rosa era bem culta e por isso acabava me ensinando o significado de palavras que até então desconhecia.
A minha rosa gostava do toque, do cheiro... do beijo devagar e demorado, exatamente assim, “o jeito que ela gostava mais”.
Tudo isso fez com que a minha rosa se tornasse única dentre tantas outras semelhantes. O seu cheiro a tornava inconfundível.